Reprodução/Disney

Com o desafio de expandir o universo de um dos maiores clássicos da Disney, “Mufasa: O Rei Leão” chega como uma exploração ambiciosa da origem de seu protagonista. Desde o início, a obra se propõe a resgatar o espírito épico do conto africano, utilizando a tecnologia de animação hiper-realista como uma ferramenta narrativa bastante satisfatória. As paisagens, criaturas e detalhes são capazes de rivalizar com os melhores esforços da Disney no campo técnico. No entanto, esse fascínio visual não é suficiente para mascarar os elementos repetitivos da trama, que resvalam em uma estrutura previsível comum aos filmes de origem.

O roteiro entrega uma história bem no molde Disney, abordando temas de lealdade, resiliência e o peso das responsabilidades, mas em muitos momentos, falta a energia que tornou o universo do Rei Leão tão imortal. É nos breves vislumbres de conflito interno e tensão moral que o filme brilha, sugerindo um subtexto mais introspectivo que, infelizmente, nunca chega a ser plenamente desenvolvido.

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Além disso, é impossível ignorar os limites impostos pela própria natureza de uma prequência. Em sua tentativa de detalhar a origem de Mufasa, o filme corre o risco de perder a grandiosidade ao se prender a detalhes que talvez funcionassem melhor em sugestões implícitas. A trilha sonora, liderada por Lin-Manuel Miranda e Lebo M., entrega faixas agradáveis, mas carece de um impacto que possa competir com os hinos atemporais do filme original.

Ainda assim, Mufasa é capaz de emocionar e envolver sua audiência, especialmente entre famílias e crianças. Barry Jenkins infunde no filme uma sensibilidade visual e narrativa que eleva o projeto, ainda que não se desdobre em um clássico imediato. No geral, trata-se de um esforço sólido que respeita a memória do filme de 1994, com momentos que capturam o espírito da majestade felina, ao mesmo tempo que enfrenta os desafios inerentes a revisitar um universo tão amado.



Nota: 7,0

Henry Nascimento / Incrivelmente Nerd