Reprodução/Universal Pictures

Brady Corbet entrega uma obra de grande ambição com "O Brutalista", acompanhando décadas da vida de László Tóth (Adrien Brody), um arquiteto húngaro que imigra para os Estados Unidos no pós-guerra em busca de realização artística e pessoal. A narrativa se desenrola como um estudo profundo sobre arte e ambição, explorando as tensões entre idealismo e realidade através do olhar de um homem que luta para deixar sua marca no mundo.

A construção visual do filme é impressionante, evocando a própria estética brutalista que seu protagonista tanto preza. Corbet adota uma abordagem rigorosa e imponente, dosando cuidadosamente o clássico e o contemporâneo. A trilha sonora de Daniel Blumberg complementa essa grandiosidade, reforçando a melancolia e a resiliência de László ao longo dos anos. O elenco brilha, com Adrien Brody, indicado ao Oscar de Melhor Ator, enquanto Guy Pearce e Felicity Jones, ambos indicados como coadjuvantes, adicionam camadas de complexidade ao drama.

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Embora o filme nunca se torne cansativo, ele também não empolga, mantendo um tom sóbrio e contemplativo ao longo de sua duração. A estrutura fragmentada, que lembra um grande romance dividido em capítulos, funciona bem para explorar as transformações do protagonista, mas o distanciamento emocional pode impedir que a narrativa envolva o espectador de forma mais visceral. Ainda assim, Corbet mantém um forte senso de humanidade, e cada momento tem peso e significado.

No fim, "O Brutalista "se destaca como uma das grandes obras do ano e se firma como um filme sólido e sofisticado, que valoriza a forma e a construção cuidadosa de sua narrativa. Pode não ser uma experiência arrebatadora, mas sua estética precisa, atuações competentes e reflexões sobre a trajetória de um homem e os dilemas do sonho americano fazem dele uma obra digna de todo reconhecimento e destaque na atual temporada de premiações.




Henry Nascimento / Incrivelmente Nerd