Reprodução/Disney

Inspirado no conto clássico dos Irmãos Grimm, o novo live-action da Disney, "Branca de Neve", reimagina a jornada da primeira princesa do estúdio, interpretada por Rachel Zegler. Fugindo da invejosa Rainha Má (Gal Gadot), Branca de Neve encontra refúgio na floresta com sete anões, culminando mais tarde, na famosa maçã envenenada. Além da narrativa clássica, o filme traz novas canções originais compostas por Benj Pasek e Justin Paul, na intenção de trazer uma abordagem mais moderna ao conto nesta adaptação.

Apesar de um visual tecnicamente bem trabalhado, a produção peca em aspectos fundamentais. Rachel Zegler se destaca nos números musicais, como já esperado. O figurino, embora muito bem feito, às vezes perde a naturalidade por parecer um cosplay refinado em vez de vestimentas reais. A caracterização de Branca de Neve deixou a desejar, não sendo capaz de evocar a identidade marcante da personagem. Gal Gadot está deslumbrante como Rainha Má, mas sua performance não é plenamente convincente, alguns momentos exagerados tentam emular a ideia clássica de uma vilã e o resultado é bastante caricato.

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A trama, reconfigurada para esta versão, apresenta alguns problemas estruturais. O ritmo acelerado compromete a fluidez da história, que parece ser um novo conto tentando se ajustar aos famosos eventos do clássico animado sem uma construção coesa. A vilã carece de motivações claras dentro dessa perspectiva, personagens secundários são mal desenvolvidos e novos elementos adicionados não agregam à narrativa. Além disso, o CGI em alguns momentos cai no vale da estranheza, especialmente para os sete anões, prejudicando a imersão. A personalidade de Branca de Neve também oscila bastante, ora representando uma jovem ingênua e doce, ora uma heroína destemida, sem uma transição bem estabelecida.

No geral, “Branca de Neve” falha em entregar uma reinterpretação que faça jus à história original. Seu roteiro mal desenvolvido e a falta de aprofundamento nos personagens e em suas ações sob essa nova ótica comprometem o envolvimento do público acostumado com a versão clássica. No entanto, o filme pode agradar ao público infantil, que é seu verdadeiro alvo. Não é uma adaptação perfeita, mas, visualmente, ainda se mantém como um conto de fadas bem filmado para as crianças.




Henry Nascimento / Incrivelmente Nerd