| Reprodução/WarnerBros. |
"Coringa: Delírio a Dois" é um filme que claramente busca se distanciar de seu antecessor, trazendo uma narrativa ousada, porém divisiva. Todd Phillips assume riscos significativos ao transformar a história em um musical sombrio, uma escolha um tanto inesperada. Esse afastamento do realismo cru do primeiro filme adiciona uma camada de teatralidade, deixando em falta o mesmo impacto emocional de seu antecessor. O retorno de Joaquin Phoenix como Arthur Fleck é mais uma vez o ponto alto, com uma continuação perfeita de seu personagem introspectivo e atormentado. Sua atuação é magistral, ainda mais realçada pela química com Lady Gaga, apesar de ela ter aqui um papel menor que o esperado.
Os números musicais do filme, embora ambiciosos, muitas vezes parecem desconectados da trama, causando estranheza pelo ritmo irregular. Algumas cenas impressionam com sua intensidade visual e emocional, enquanto outras parecem excessivas, arrastando a narrativa para um lugar confuso. A tentativa de Phillips de reinventar o gênero parece funcionar melhor em conceito do que na execução, com algumas cenas se mostrando mais exageradas do que essenciais.
| Reprodução/WarnerBros. |
Visualmente, "Delírio a Dois" continua impressionante, com uma cinematografia marcante e uma estética que mantém a atmosfera sombria e sufocante de Gotham. Porém, por baixo da superfície, o filme luta para encontrar a mesma energia crua que fez o original "Coringa" tão provocante. A exploração da decadência social permanece, mas sem a mesma intensidade cortante. Apesar de sua ousada subversão de expectativas, não é fácil constatar se esta sequência realmente justifica sua existência.
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No fim, para aqueles que apreciam um cinema mais experimental e artístico, o filme oferece uma experiência única. No entanto, para os que esperavam a continuidade da narrativa realista e perturbadora do primeiro filme, "Coringa: Delírio a Dois" pode parecer uma sequência desconexa e pretensiosa. A audácia de Todd Phillips em reimaginar o universo do Coringa como um musical sombrio é louvável, mas o resultado final é um filme que, embora visualmente deslumbrante, não alcança o mesmo nível de envolvimento emocional e narrativo que seu antecessor.
Nota: 6,0
Henry Nascimento / Incrivelmente Nerd
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