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| Reprodução/Imagem Filmes |
“Arca de Noé” apresenta uma releitura descontraída da história bíblica da arca, focando em Vini (Rodrigo Santoro) e Tom (Marcelo Adnet), dois ratinhos músicos e carismáticos que se esgueiram para dentro do lendário barco. Enquanto Deus instrui Noé a salvar um casal de cada espécie, os ratinhos, apaixonados por música, decidem embarcar clandestinamente e rapidamente percebem que a missão de sobrevivência na arca será mais complicada do que imaginavam. O cenário se transforma em um palco para shows musicais e embates com Baruk (Lázaro Ramos), um leão ameaçador que pretende instaurar uma ordem rígida a bordo.
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| Reprodução/Imagem Filmes |
Visualmente, “Arca de Noé” consegue agradar, e não é para
menos: a animação é considerada a mais cara já produzida no Brasil. Em parceria
com o estúdio indiano Symbiosys, a equipe consegue criar uma atmosfera vibrante
e acessível, principalmente para o público infantil. No entanto, o roteiro nem
sempre acompanha a produção visual. Embora o filme comece com uma proposta
interessante, o enredo se perde em piadas e referências contemporâneas, muitas
vezes desconexas do contexto da história bíblica, o que pode afastar
espectadores que esperam um tom mais coeso. TikTok, selfies e piadas com fake
news, por exemplo, se tornam distrações que nem sempre agregam, tornando a
experiência um tanto fragmentada. Em meio a esse distanciamento da narrativa
original, surge uma lacuna: os filhos de Noé, presentes no relato bíblico,
estão ausentes. A trama deixa sem resposta a pergunta de como a Terra será
repovoada após o dilúvio, considerando que só Noé, Ruth e a pequena Suzana
embarcam na arca.
Apesar do elenco estrelado e dos star talents assumindo a
interpretação dos personagens, parte das performances soa artificial, o que
pode atrapalhar consideravelmente a experiência com a versão brasileira do
filme, originalmente produzido em inglês. Ainda assim, algumas atuações se
destacam, como as de Marcelo Adnet, Rodrigo Santoro e Alice Braga, que dublaram
seus personagens tanto em inglês quanto em português. O grande destaque fica
para Lázaro Ramos, que dá vida a Baruk, o vilão da trama, trazendo uma presença
forte e convincente ao personagem.
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| Reprodução/Imagem Filmes |
Por trás das peripécias e das canções, inspiradas nas obras
de Vinicius de Moraes que deram origem ao projeto, há uma tentativa de inserir
lições sobre ética e meio ambiente, trazendo questões relevantes, mas que
poderiam ter sido mais organicamente integradas ao enredo. “Arca de Noé” é, no
fim, um espetáculo que homenageia com carinho o legado do poeta, mas que,
narrativamente, se perde ao tentar harmonizar humor, aventura e temas
modernos de forma que agrade a todas as idades dentro do contexto da obra.
Nota: 6,0
Henry Nascimento / Incrivelmente Nerd
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