Reprodução/Lionsgate

“Pássaro Branco” surge como uma sequência independente de “Extraordinário”, o que permite que ele funcione tanto para os fãs do filme original quanto para quem não o conhece. Baseado na graphic novel de R. J. Palacio, o filme conta a história de Sara (Ariella Glaser), uma jovem judia que se esconde em um celeiro na França ocupada pelos nazistas, protegida por uma família local, durante a Segunda Guerra Mundial. O longa explora os horrores do período, mas adota uma abordagem menos pesada, ideal para um público jovem, e tenta transmitir lições de humanidade que são centrais à essência da obra.

Marc Forster, o diretor, opta por uma estética visual que é quase poética, conferindo ao filme uma atmosfera de conto de fadas sombrio. Essa escolha é habilmente realizada pela cinematografia de Matthias Konigswieser, que capta paisagens rurais que parecem retiradas de uma pintura. É uma abordagem que suaviza, em certa medida, a realidade dura da época, tornando-a mais acessível sem minimizar a dor dos acontecimentos. Essa “beleza sombria” realça o tom emocional da história e ajuda a envolver o espectador, permitindo que ele se conecte com a jornada de Sara e os dilemas morais enfrentados pelos personagens. 

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As atuações são um dos pontos altos de “Pássaro Branco”. Ariella Glaser entrega uma ótima performance, capturando a vulnerabilidade e a coragem de Sara com uma veracidade que é surpreendente para uma atriz estreante. Helen Mirren, sempre impecável, traz profundidade e graça a sua personagem, sendo uma presença calorosa e quase protetora à narrativa, sem roubar o foco dos protagonistas mais jovens. A relação entre Sara e o jovem Julien, interpretado de forma tão cativante por Orlando Schwerdt, é tratada com delicadeza, e a química entre os dois é autêntica e comovente, sustentando a trama mesmo em seus momentos mais previsíveis.

Optando por uma abordagem mais simplista de temas complexos, a forma didática com que a trama se desenrola em alguns pontos, quase como uma lição de moral explícita, pode deixar a impressão de que a história tenta direcionar o público a certas conclusões, em vez de permitir que cada um faça suas próprias interpretações. Essas escolhas podem parecer limitantes, como se a narrativa subestimasse a capacidade do espectador de captar sutilezas, o que torna certas passagens previsíveis e sem as ambiguidades que poderiam provocar reflexões mais profundas. 

Reprodução/Lionsgate

Ainda assim, “Pássaro Branco” consegue tocar o coração do espectador com uma mensagem clara sobre as marcas deixadas pelo passado, sendo um convite a refletir sobre a capacidade humana de resistir e cuidar do outro, mesmo nas circunstâncias mais adversas, reafirmando valores universais de humanidade. A narrativa é delicada e visualmente bela, com uma direção sensível e um excelente resultado final. O filme chega neste mês de novembro nos cinemas do Brasil todo. 



Nota: 9,0

Henry Nascimento / Incrivelmente Nerd